terça-feira, 4 de maio de 2010

Futebol Arte x Pragmatismo: O que prevalece?

Terminou no último domingo (03/05), o Campeonato Paulista de Futebol, com a vitória do Santos sobre o Santo André na grande final. E agora abre-se aqui no Fala Ligeira uma boa e velha discussão (mais uma rs). Futebol arte! Ah! Os recentes citam o Santos 2010 como uma máquina que dá alegria ao futebol, tão marcado por times retranqueiros e defensivos demais, não condizentes com o estilo tupiniquim de jogar bola.

Já os mais velhos se lembram da alegria do Brasil de Eder, Falcão, Sócrates e Zico, que caiu perante o pragmatismo europeu, representado pela Itália de Paolo Rossi.
Aqui irei dar alguns destaques do chamado Futebol Arte!  Dos que deram ‘certo’, conquistando taças e mais taças, ou dando ‘errado’, sendo vencidos pelo pragmatismo.

Brasil 2 x 3 Itália – Segunda fase da Copa do Mundo de 1982
Era 1982. Muita coisa estava em processo de modificação no mundo. No Brasil, a ditadura respirava por aparelhos, com a crescente crise econômica e com o fim do governo Figueiredo, o Presidente que disse que “um povo que não sabe nem escovar os dentes, não está preparado para votar”. No mundo tínhamos que a Guerra Fria também estava a passos largos de seu tão esperado final, com a saúde cada vez mais deficiente de Leonid Brejnev, que era o então manda chuva da URSS, desde 1964 a frente da nação comunista.

No esporte, os Jogos Olímpicos sofriam com as conseqüências do conflito ideológico entre EUA e URSS. Dois anos antes da Copa do Mundo, os Jogos de Moscou foram boicotados por grande parte dos países do chamado bloco capitalista. Dois anos depois da Copa realizada na Espanha, em 1984, veio o ‘troco vermelho’ (trocadilho horrível, eu sei) nos jogos de Los Angeles. No quesito futebol, a crise chegava ao Brasil. Porém, em tempos de mudança, assim como passava o mundo.

No futebol, antes subordinado a CBD (Confederação Brasileira de Desportos), finalmente era criada a CBF (Confederação Brasileira de Futebol). O Campeonato Nacional estava (finalmente) entrando nas graças do torcedor, que queria que a seleção nacional repetisse esse sucesso. Difícil?

Vejamos. Desde o Título conquistado no México, em 1970, o Brasil só colecionou fiascos e decepções nos dois Mundiais seguintes. Em 1974, na Alemanha, o Brasil passou por uma preparação confusa sob a batuta do ETERNO técnico Zagallo. Empataram por 0 a 0 com Iugoslávia e Escócia e ralaram pra vencer o Zaire por 3 a 0, o que serviu para a classificação pra fase seguinte. Resumindo, tomaram um vareio da Holanda de Cruyff e foram chorando pra casa. Quatro anos depois, no Mundial disputado na Argentina, um time que até foi bem, mas não foi suficiente pra tirar (?) o merecido (??) título (???!!!!) dos hermanos.

Em 1982 o time comandado por Telê Santana encantou a todos, jogando um futebol leve, solto e tecnicamente indiscutível. Porém, graças a um regulamento escroto, pegou um grupo que tinha a Argentina (atuais detentores da Copa) e a Itália (que fez uma campanha horrível na primeira fase) na segunda fase. Moleza, right?

Depois de vencer os hermanos por 3 a 1 e mandar o Dieguito Maradona pra casa, chegou a vez dos Italianos. Graças a melhor campanha na fase anterior, um empate bastava pra levar o Brasil pra decisão da Copa. Do outro lado da chave, a Alemanha Ocidental esperava prontinha pra entregar a rapadura pra quem saísse do jogo entre Itália e Brasil. Moleza?²

Foi aí que desandou. Acabou que os Italianos marcaram forte, saíram no contra golpe e com 3 gols de Paolo Rossi, mataram o Brasil, a esperança de milhões de torcedores e do futebol arte. Tudo bem que demos o troco 12 anos depois, em 1994, mas é outra conversa. rs

Palmeiras (4)2 x 1(3) Deportivo Cali – Final da Copa Libertadores da América de 1999
Em 1999, o mundo e o Brasil viviam a ansiedade pelo fim da década, do século, e não menos importante, do tal bug do milênio. Em meio a uma crise energética enorme, o governo FHC vivia um período difícil.
No futebol, o Brasil tentava se recuperar da paulada recebida na final da Copa de 98, disputada na França. No quesito clubes, desde 1992, 5 dos 7 títulos disputados da Libertadores foram conquistados por times Brasileiros. E o próximo sairia na disputa entre Palmeiras e Deportivo Cali da Colômbia.

A equipe paulista contava com jogadores experientes e com currículos invejáveis. Um time capaz de fazer o mais calmo torcedor morrer do coração. Não de raiva, e sim de emoção. Finalista do Paulistão, da Copa do Brasil, do Mercosul, da Libertadores e do Mundial Interclubes, o Palmeiras de 1999 marcou pela dramaticidade com o qual chegava nas decisões. Com jogadores do naipe de São Marcos, Junior, Zinho, César Sampaio, Paulo Nunes e confiando nas jogadas plásticas do camisa 10, Alex, a equipe comandada por Luiz Felipe (*-*) Scolari encantou os Brasileiros no final da década de 1990.

Na decisão continental, massacre ofensivo pra cima dos colombianos, que fizeram cera, cara feia e jogadas ríspidas para tentar evitar o título paulista, porém mesmo nos pênaltis, quem brilhou foram os jogadores do Palmeiras, que venceram e garantiram a hegemonia Brasileira na Copa Libertadores da década de 90.

Pra encerrar: Entre futebol arte e pragmatismo, o que vale mais a pena? Dar show e ficar de mãos abanando, ou ser pragmático e levar um título?

8 comentários:

Anônimo disse...

Olha,o futebol tem disso mesmo já há algum tempo,porém penso que com o mundo acabando os torcedores começam a valorizar mais os jogos históricos e isso tbm colabora ne com isso,então é um momento realmente de valorizar e muito esses jogos porque senao se um dia o mundo acabar todos nós,poderemos ter nem tempo pra olhar pra história,para as lembranças de um tempo que não volta atrás.Sou André Vieira Coelho Sou De Americana/Sp.

4 de maio de 2010 00:57
Arte Vital disse...

Na minha humilde opinião de peladeiro, sei de quatro times que aliavam força (o que o nobre escriba chama de pragmatismo) e arte. A primeira é Hungria de 1954, com Puscas, Kcsic e Cia. Uma defesa forte que dava pancada qdo precisava (lembrem da batalha de Berna no jogo Hungria 4X2 Brasil). Não foi campeã, ludibriada pela traiçoeira Alemanha, mas montou a primeira equipe com moldes de perfeição na história do Futebol. A segunda equipe foi o Brasil de 1970, que tinha um futebol, espírita e aliavam pragmatismo e arte numa orquestra perfeita, No jogo Brasil X Inglaterra, a bordoada comeu solta e deu Brasil. Um dos maiores jogos da história dos mundiais com direito a lances eternos na memória como a cabeçada de Pelé e a defesa de Banks. A terceira equipe é o Ajax de Cruyff, Rezembrink, Naninga e outras feras. Pragmatismo e a arte de Cruyff: DIVINO. Fechando aqui, não poderia esquecer o Vasco de 1997. Tinha Edmundo, os Juninhos paulista e carioca, uma campanha irretocável com 8 pontos na frente dos demais. Pena que Eurico tenha maculado tanto a instituição.
Futebol é arte SIM. Mas se vc encontrar um Santo André determinado como foi ontem, a possibilidade de decepções como foram as de Hungria em 54, Holanda em 74 e Brasil em 82, passam a ser fato. Sem lembrar o que foi 1950 no maracá contra os uruguaios. Dá pra aliar futebol arte e porrada sim, como Fe Marcelo Lippe no Milam de Gulit, Van Bastem e Seedorf que foram campeões em tudo, tinha a genialidade do van Bastem e a força de Baresi na defesa. [É como a religião e a ciência: UM NÃO VIVE SEM O OUTRO.

Antonio Siqueira

4 de maio de 2010 01:14
Luh disse...

prefiro o futebol raça, mas o futebol arte é bonito de se ver :]

4 de maio de 2010 16:29
Márcio Oliveira disse...

No futebol de hoje, ser pragmático e ganhar. É jogando feio que se ganha títulos hoje, na maioria das vezes.

Outro exemplo disso, é a Itália campeã do mundo em 2006.

4 de maio de 2010 21:32
mariza disse...

Felipinho, meu filho, não entendi necas de pitibiribas acerca da parte técnico-histórica, mas como torcedora eventual posso lhe assegurar uma coisa, mais vale uma taça na mão do que a lembrança de belas jogadas que não terminaram em título. respeito a arte futebolística, mas não posso me esquecer de paolo rossi, aquele baixinho antipático, levando um título e um jogo sobre 11 fenomenais artistas. chorei feito bebê. você ainda não tinha nascido e naquela época assisti à final no rio de janeiro ao lado de seu avô.
lindo e bem escrito, meu jornalista preferido.
te amo
beijo da mamis.

4 de maio de 2010 23:35
Camilla disse...

Olha, realmente é lindo ver belas jogadas, porém nós torcedores queremos o título certo?
E falando dos meninos boleiros do Santos, realmente jogam muito, porém são muito metidos, e não importa se são os melhores do mundo, humildade não mata ninguém.

Beijocas

5 de maio de 2010 00:02
Felipe Pessota disse...

O Palmeiras de 1999 chegou a semifinal da Copa do Brasil. final foi entre Juventude e Botafogo. Mas esse time era do caralho.
o último time descente que o Palestra teve.

5 de maio de 2010 00:04
Danilo disse...

Com certeza o que vale mais a pena é ser pragatico e ganhar um título, porém se um time conseguir dar show e ganhar um títuloé muito melhor para o torcedor do time e o torcedor do futebol brasileiro. O único time que conseguiu fazer isso foi o Santos, mais hoje em dia é o unico.
VAMO PALMEIRAS
muito legal o blog LF
é nóis Abraços

5 de maio de 2010 00:18

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